Biocombustíveis no Brasil devem receber R$106 bilhões até 2035 com expansão de etanol, biodiesel e SAF impulsionada pela Lei do Combustível do Futuro/ Foto: divulgação

O avanço dos biocombustíveis acelera a transição energética no Brasil, com novos investimentos em etanol, biodiesel e SAF após a aprovação da Lei do Combustível e metas ambientais mais ambiciosas.

O Brasil entra em uma nova fase de investimentos em energia limpa. Segundo matéria publicada pelo Globo Rural nesta segunda-feira (19), a indústria nacional de biocombustíveis deve receber R$ 106,7 bilhões até 2035, impulsionada pela ampliação da capacidade produtiva de etanol, biodiesel e SAF, conforme estimativas oficiais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Esse movimento é estimulado pela Lei do Combustível do Futuro, que cria mandatos de mistura, metas de redução de emissões e instrumentos regulatórios para acelerar a transição energética no Brasil. Trata-se de um dos maiores ciclos de investimento já registrados no setor, com impacto direto na matriz energética, no agronegócio, na indústria e na agenda climática nacional.

Lei do Combustível do Futuro impulsiona os biocombustíveis no Brasil

A Lei do Combustível do Futuro representa um novo marco regulatório para os biocombustíveis no Brasil, ao estabelecer diretrizes claras para a expansão de fontes renováveis e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Quando sancionada, a política pública veio acompanhada da estimativa do governo federal de destravar até R$ 270 bilhões em investimentos ao longo dos próximos anos. Parte relevante desse potencial já começa a se materializar, conforme o levantamento técnico da EPE, que mapeou projetos autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), investimentos anunciados e projeções setoriais.

A previsibilidade regulatória passou a ser o principal ativo do setor. Com regras claras, o ambiente se tornou mais atrativo para investidores nacionais e internacionais.

Etanol lidera os investimentos em biocombustíveis no Brasil

O etanol concentra a maior parcela dos recursos previstos. Segundo a EPE, R$ 66,2 bilhões em investimentos devem ser direcionados à expansão da produção de etanol até 2035, contemplando diferentes rotas tecnológicas.

Os aportes incluem projetos de etanol de cana-de-açúcar, etanol de milho e etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos agrícolas. Esse avanço reforça o papel histórico do etanol na matriz energética brasileira, agora associado a ganhos de eficiência e inovação tecnológica.

Além disso, a Lei do Combustível do Futuro autoriza o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, atualmente em 30%, para até 35%, condicionada à realização de testes técnicos já encomendados pelo Ministério de Minas e Energia. O etanol deixa de ser apenas um combustível complementar e passa a ocupar posição estratégica na transição energética.

Biodiesel avança com novos mandatos previstos na Lei do Combustível

O setor de biodiesel também deve experimentar crescimento consistente ao longo da próxima década. De acordo com o levantamento da EPE, estão previstos R$ 9,5 bilhões em investimentos em biodiesel até 2035.

A Lei do Combustível do Futuro estabelece a elevação gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil, com limite de até 20%. Atualmente, o percentual é de 15%, e qualquer aumento depende da realização de testes técnicos, já solicitados pelo governo federal.

A ampliação do biodiesel contribui para a redução das emissões no transporte pesado, além de fortalecer cadeias produtivas ligadas ao agronegócio e à indústria de óleos vegetais.

SAF ganha relevância estratégica entre os biocombustíveis

O combustível sustentável de aviação (SAF) desponta como um dos segmentos mais estratégicos do novo ciclo de investimentos em biocombustíveis. Segundo a EPE, R$ 27,9 bilhões em capex estão previstos para projetos de SAF e diesel verde até 2035.

Um dos maiores anúncios foi feito pela Acelen, controlada pelo Mubadala Capital, que confirmou em 2025 um investimento de US$ 3 bilhões para a construção de uma biorrefinaria no sul da Bahia. O projeto prevê a produção de SAF a partir da macaúba, matéria-prima com alto potencial energético. O SAF é considerado essencial para a descarbonização da aviação, setor que enfrenta maiores desafios tecnológicos para reduzir emissões.

Biometano ganha força com a Lei do Combustível do Futuro

Entre os segmentos que mais rapidamente responderam à nova legislação está o biometano, produzido a partir de resíduos urbanos e agroindustriais. A EPE estima R$ 3 bilhões em investimentos no aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético.

A Lei do Combustível do Futuro criou metas obrigatórias de redução de emissões para compradores de gás natural, que poderão cumprir os compromissos por meio da aquisição de biometano ou de Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGob).

Para 2026, a meta proposta é de redução de 0,25% das emissões em relação a 2025. Embora inferior ao percentual inicialmente previsto, o ajuste foi feito para permitir adaptação do mercado. A expectativa é de metas mais ambiciosas nos anos seguintes, a partir de 2027.

Biocombustíveis ampliam presença no transporte marítimo

Além da aviação, os biocombustíveis no Brasil começam a ganhar espaço também no transporte marítimo. A Maersk, maior armadora do mundo, confirmou recentemente a viabilidade técnica do uso de 10% de etanol em motores de navios movidos a e-metanol.

Atualmente, a empresa já realiza testes com misturas de até 50% de etanol, abrindo um novo mercado potencial para a produção brasileira. Esse movimento amplia significativamente a demanda futura por etanol e SAF, reforçando o protagonismo do Brasil na transição energética global.

Captura de carbono integra a estratégia dos biocombustíveis no Brasil

Outro avanço relevante viabilizado pela Lei do Combustível do Futuro é a integração entre biocombustíveis e tecnologias de captura e estocagem de carbono. Estão previstos R$ 100 milhões em investimentos em bio-CCS, além de projetos de BECCS.

Em 2025, o BNDES aprovou um financiamento de R$ 384,3 milhões para a FS Agrisolutions implantar um projeto de Bioenergy with Carbon Capture and Storage. A nova legislação garante autorização de operação por até 60 anos, oferecendo segurança jurídica para empreendimentos de longo prazo. A combinação entre bioenergia e captura de carbono coloca o Brasil em posição de destaque na agenda climática internacional.

O papel dos biocombustíveis no futuro energético do Brasil

O ciclo de R$ 106,7 bilhões em investimentos até 2035 confirma que os biocombustíveis deixaram de ser uma alternativa complementar e passaram a ocupar o centro da estratégia energética do Brasil. A expansão de etanol, biodiesel e SAF, sustentada pela Lei do Combustível do Futuro, cria um ambiente favorável à inovação, à atração de capital e à redução estrutural das emissões.

O país reúne condições únicas para liderar essa transição, combinando base agrícola, capacidade industrial, experiência regulatória e demanda crescente por energia limpa. Assim, os biocombustíveis se consolidam não apenas como solução ambiental, mas como vetor de desenvolvimento econômico e soberania energética nacional.

Fonte: CPG

*As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do Sicompar.