Visita de Lula à sonda que perfura o primeiro poço na Margem Equatorial (Foto: Ricardo Stuckert)
Em clima de campanha, Lula (PT) usou a visita ao navio-sonda que perfura o primeiro poço na Bacia Foz do Amazonas, na segunda (17/8), para defender a internacionalização da Petrobras.
Ele revelou que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, ligou pedindo apoio da estatal brasileira para explorar petróleo em águas profundas no Golfo do México: e que orientou a presidente da Petrobras a atender o pleito.
- “Liguei para Magda [Chambriard]: vá para o México atender a nossa presidenta [Claudia Sheinbaum]”.
Lula acrescentou que a Petrobras deve ir “para a África também, onde tiver oportunidade”, e disse que a companhia pode ser “a mais importante empresa do petróleo do mundo”.
- A aproximação com a Pemex já está em curso: na semana passada, Lula e Sheinbaum fizeram uma videoconferência em que saudaram o bom andamento das tratativas entre as duas estatais, que em junho assinaram memorando de entendimento para colaborações em águas profundas, gás natural e petroquímica.
A Petrobras é puxada novamente por Lula para os holofotes da campanha presidencial de 2026, que começou oficialmente no domingo (16/8).
- O plano de governo petista organiza a política energética em torno da Petrobras e cita que a estatal deve seguir “ampliando investimentos em exploração onshore e offshore, para recuperar participação no controle de reservas nacionais”;
- além de expandir a capacidade de refino e retornar ao segmento de distribuição de combustíveis, por exemplo.
Entre os concorrentes mais fortes nas pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL) promete dar continuidade a políticas energéticas que o governo Lula colocou de pé nos últimos três anos – mas ss referências à Petrobras são omitidas.
- A omissão é acompanhada pela defesa de que “o papel do Estado aqui não é ser o empresário, é ser o país que funciona”.
Já o plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) é o que traz o maior detalhe da agenda de política energética. A Petrobras, no entanto, aparece uma única vez:
- “Petrobras e demais estatais terão governança, eficiência e investimento, sem uso partidário ou controle artificial de preços”;
- Não há menção sobre privatização ou desestatização. O candidato pelo PSD já admitiu em campanha, porém, que não privatizaria a Petrobras, mas sim segmentos do gás da estatal.
Romeu Zema (Novo) quer fatiar a Petrobras e seu plano cita “desverticalizar a Petrobras, separando as operações de produção, refino, transporte e logística em diferentes empresas para permitir a entrada de novos concorrentes”.
- A privatização da estatal não é nomeada – ela entra apenas na diretriz geral do plano de “privatizar todas as empresas estatais”. O ex-governador mineiro vinha defendendo vender o controle da estatal pelo modelo de corporation. (g1)
Renan Santos (Missão), por fim, concentra o olhar da política energética em renováveis, biocombustíveis e data centers como caminhos para o Nordeste; e a agroindústria, na qual ele também menciona biodiesel e etanol, como setores-chave. Não há menções à Petrobras no plano e, embora ele assuma uma pauta privatista, já descartou a desestatização da petroleira.
Em tempo, sintonia com Alcolumbre. O evento na sonda de perfuração em Morpho, no litoral do Amapá, selou, ainda, a reaproximação entre Lula e Davi Alcolumbre, em casa, após meses de relação estremecida.
Do palanque, o presidente da República elogiou o destravamento da pauta no Congresso, anunciado na semana passada — e que inclui a a ida às comissões da PEC da Segurança, do fim da escala 6×1 e do projeto dos minerais críticos e terras raras.
Geopolítica do petróleo. No mesmo evento, nesta segunda, Lula afirmou que a Margem Equatorial “será aberta para o mundo inteiro” se o presidente dos EUA, Donald Trump, seguir fechando o Estreito de Ormuz.
- Os indícios de nova escalada nas tensões no Oriente Médio, aliás, fizeram o preço do petróleo voltar à casa dos US$ 90 nesta segunda: o Brent subiu 2,65%, a US$ 90,87 o barril. E Trump voltou a dizer que o principal objetivo da guerra é impedir que o Irã tenha uma bomba nuclear.
Braskem de fora do gas release. A presença dominante da Petrobras no capital e na governança da Braskem pode deixar a petroquímica – uma das principais consumidoras de gás natural do país – de fora dos leilões para compra de molécula do programa de gas release proposto pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Petrobras avança do projeto piloto de CCS. A estatal anunciou, na segunda (17/8), a assinatura do contrato com a Halliburton Produtos para a perfuração e completação de quatro poços terrestres do Projeto Piloto de CCS São Tomé, o primeiro da América Latina de captura, movimentação e armazenamento de carbono (CCS) em reservatório salino a partir de fontes industriais.
- A iniciativa está localizada na Estação de Barra do Furado (Ebaf), em Quissamã (RJ). O objetivo do projeto é testar e validar algumas tecnologias enquanto captura até 100 mil toneladas de CO₂ por ano durante três anos.
RenovaCalc. A ANP abriu um período de consultas sobre atualizações na ferramenta que calcula a eficiência energética e ambiental dos biocombustíveis credenciados no RenovaBio. A atualização é um desdobramento da Resolução ANP 984/2025, que regulamenta a certificação da produção ou importação de combustíveis renováveis para emissão de créditos de descarbonização (CBIO).
- Os preços médios do etanol hidratado caíram em 22 estados na semana passada, de acordo com dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados em todo o país, o preço médio do etanol caiu 0,76% na semana, para R$ 3,91 o litro.
Opinião 1.A expansão dos data centers exige novos arranjos regulatórios e contratuais, com impacto em planejamento de transmissão, acesso à rede e modelos de contratação, escrevem os advogados Bruna Correia e Carlos Bingemer, sócios da área de Energia do BMA.
Opinião 2.Usinas virtuais coordenam painéis solares, baterias e veículos elétricos para prestar serviços de rede, reduzindo custos e emissões. O Brasil já tem 50 GW de geração distribuída; falta criar estrutura de remuneração para flexibilidade, escreve Flávia Silveira, executiva sênior do setor elétrico.
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Biometano na mobilidade. O transporte público é um dos caminhos mais fáceis para ancorar investimentos na produção de biometano no Brasil, na avaliação do sócio do Faveret Tepedino Londres Fraga Advogados, José Roberto Faveret.
- Em entrevista ao estúdio eixos, Faveret destacou que o biometano já é competitivo em relação ao diesel e que, por sua potencial de produção descentralizada territorialmente, dialoga bem com a pulverização do setor de transportes.
Biogás no interior. O desenvolvimento do setor também tem o potencial de interiorizar a produção de inovação no Brasil, na visão do CEO da Gás Orgânico e diretor da vertical de energia da Associação Catarinense de Tecnologia e Inovação (Acate), Giovane Rosa.
Demanda em alta. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o Brasil dispõe de potencial produtivo suficiente para atender à expansão esperada da demanda por biometano até 2036. O superintendente adjunto de Petróleo e Gás Natural, Marcelo Alfradique, conta que houve um aumento significativo do consumo de biometano no país nos últimos anos.
E regulação do biometano. O Brasil ainda tem um “avanço imenso” a fazer na flexibilização da regulação, para destravar o potencial do setor de biometano, na visão de Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
Fonte: Eixos
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