PDE 2036 expõe o desafio da Petrobras para alcançar a autossuficiência em diesel; busca por segurança no abastecimento de combustíveis também ganha força na Europa, em meio às tensões geopolíticas.

Produção brasileira de petróleo e gás bate novo recorde em setembro, acima de 6 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

Eneva escolhe o Espírito Santo para instalar novo hub de gás, com terminal de GNL e termelétricas.

Brasil apresenta mapas do caminho para a transição dos combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento. 

O Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, publicado na terça (3/11) pela Empresa de Pesquisa Energética, indica parte do tamanho do desafio que a Petrobras terá pela frente para conseguir incluir no plano de negócios 2027-2031 a meta de autossuficiência em diesel, prometida pela presidente da estatal, Magda Chambriard, nos últimos meses. 

  • O PDE aponta que a demanda de diesel A no Brasil vai crescer 19% entre 2026 e 2036. 
  • Os projetos já previstos para o aumento do processamento no país são suficientes para ampliar a produção doméstica em apenas 13% no período, deixando ainda um saldo de importações líquidas do produto de cerca de 51 mil m³/dia em 2036.

Vale ressaltar que o horizonte do PDE vai até 2036, mas o diretor de Processos Industriais, William França, indicou que a estatal se prepara para a autossuficiência no produto até 2030. 

  • Entre os projetos já incluídos no planejamento atual da estatal estão o Trem 2 da Rnest, o Complexo Boaventura e ampliações no atual parque, que devem ajudar a ampliar a produção de diesel em cerca de 330 mil barris/dia até o final da década. 
  • Caso o aumento se confirme, já será maior do que o acréscimo que o PDE projeta.

Uma questão que pesa é o nível de utilização dos ativos. A EPE trabalha com fator de utilização de 86% em 2026 (janeiro a maio) e de cerca de 90% a partir de 2033. 

O plano de negócios da Petrobras, que está em elaboração, indicará quanto da meta de autossuficiência em diesel se traduz em novos investimentos, projetos e prazos. A expectativa é de divulgação entre o final de novembro e o começo de dezembro. 

  • Hoje a Petrobras fornece mais de 70% do diesel consumido no país.
  • A EPE ressalta que a expansão do refino deve ser analisada junto com medidas pelo lado da demanda, como a substituição e a diversificação das fontes de energia.

Logística também é desafio. O PDE alerta que trechos dos oleodutos Opasc, Osbra e Osplan I podem atingir ou se aproximar do limite de capacidade até 2036. 

  • O estudo aponta ainda que a substituição gradual do S500 pelo S10, menos poluente, exige investimentos em hidrotratamento, hidroconversão e geração de hidrogênio.

Outros derivados. Entretanto, o PDE já indica que a dependência externa cai em quase todos os demais produtos refinados ao longo da próxima década 

  • O Brasil também pode alcançar a autossuficiência em gasolina no médio prazo, devido a uma queda de 12% na demanda, influenciada por fatores como o maior maior uso de veículos elétricos e o aumento do teor de etanol.
  • No querosene de aviação, a dependência, hoje de 16%, deve ser eliminada, com a ampliação da produção nas refinarias nacionais e o mandato de combustível sustentável de aviação (SAF). Já no GLP, as importações caem para cerca de 6% da demanda em 2036. 
  • Na nafta, a produção deve crescer cerca de 70%, e a dependência, de 54% para 27%. 

Não é só no Brasil. O tema da redução da dependência das importações de combustíveis está retornando com força em todo o mundo, dado o aumento da busca por segurança energética em meio aos conflitos geopolíticos. 

Exploração e produção

Produção recorde. O Brasil atingiu um novo marco na produção de petróleo e gás natural em setembro de 2026, com um total de 6,120 milhões de barris de óleo equivalente por dia, de acordo com a ANP. O resultado supera o recorde registrado em agosto, quando a produção ultrapassou pela primeira vez a marca dos 6 milhões de boe/d.

Vem mais por aí. A plataforma P-78, em operação no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, alcançou no sábado (31/10) a produção de 180 mil barris/dia de petróleo, volume que corresponde à sua capacidade nominal, informou a Petrobras.

Preço do barril. O Brent era negociado em alta a US$ 103,9 por volta das 6h de quarta (4/11) no horário de Brasília, depois de fechar em queda de 1,11% (US$ 1,17), a US$ 103,60 o barril na terça-feira (3/11).

  • Nas negociações de ontem, os contratos ampliaram as perdas da véspera após operar volátil diante de novos bombardeios no Oriente Médio durante a madrugada e sinais de avanços diplomáticos para o fim da guerra.

Gás natural 

Mercado livre de gás. O volume movimentado pelas indústrias no mercado livre de gás natural atingiu a marca de 19,8 milhões de m³/dia em junho de 2026, um crescimento de 48,8% em relação a igual mês de 2025. 

  • De acordo com a Abegás, o maior centro de consumo do país, São Paulo representa 37% do mercado livre no setor industrial.

Novo hub. A Eneva assinou com a Vports, autoridade portuária do Espírito Santo, contratos de uso de áreas no Porto de Barra do Riacho, em Aracruz (ES), para instalar um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) e termelétricas a gás.

  • Com isso, a companhia confirma o Espírito Santo como a sede do Hub Sudeste, em detrimento do Rio de Janeiro – a outra opção considerada pela empresa.

Efeitos da guerra. O conflito no Irã deve provocar o maior recuo anual já registrado na oferta global de gás natural liquefeito (GNL), com o estrangulamento de fluxos e o aumento da competição entre países importadores, alertou a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês).

  • Em relatório divulgado na terça-feira (3/11), a agência disse que a oferta mundial de GNL deve cair 3% em 2026 — cerca de 20 bilhões de metros cúbicos.

Transição

Mapa do caminho. A proposta da diplomacia brasileira para o mapa do caminho organiza a transição em três frentes: demanda de energia, oferta de energia e dependência econômica dos combustíveis fósseis. 

  • A presidência da COP30 apresentou na terça (3/11), na sede da ONU em Brasília, as diretrizes para dois mapas do caminho: um para a transição dos combustíveis fósseis e outro para reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.

Pauta do próximo CNPE. O mapa do caminho brasileiro para longe dos combustíveis fósseis aguarda a aprovação do presidente Lula (PT) e está na pauta da próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para esta sexta (6/11). 

  • É a segunda vez que o CNPE promete se reunir com as diretrizes do roteiro para longe dos fósseis na agenda. 
  • Estão previstas também a aprovação do Plano Nacional de Transição Energética (Plante) e a criação do Grupo Técnico do plano, o GT Plante. 

Não vinculante. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) afirmou, na terça-feira (3/11), que os Mapas do Caminho não são um instrumento de negociação vinculante para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que também começa na sexta (6/11), em Antália, na Turquia.

  • Marina explicou que os documentos são contribuições do Brasil que podem ser incorporadas voluntariamente pelos países.

Mais de uma fonte à disposição. A transição energética do setor industrial deve se dar pela via da integração de fontes, defendeu a gerente de Petróleo, Gás e Energias da Firjan, Karine Fragoso, em entrevista ao estúdio eixos durante a EVEx Lisboa 2026.

Energia elétrica

Caducidade da Enel. O diretor da Aneel Gentil Nogueira deve apresentar no próximo dia 17 o voto referente ao processo que pode definir o futuro da Enel Distribuição São Paulo. 

  • A relatora Agnes da Costa votou no início de outubro por recomendar o fim do contrato da empresa, acompanhada pela diretora Ludimila Lima da Silva. 

LRCAP de baterias. Realizar o leilão de sistemas de armazenamento de energia em dezembro, no meio de uma discussão no Congresso sobre o rateio dos custos de contratação das baterias, é uma “irresponsabilidade regulatória”, na visão da sócia do escritório Fernanda De Paula Advocacia e Consultoria Jurídica, Fernanda De Paula.

Curtailment. Acrescentar apenas capacidade de geração de energias renováveis à matriz elétrica brasileira deixou de ser prioridade, diante dos gargalos que têm limitado o aproveitamento desses recursos, na visão da senadora eleita pelo Rio Grande do Norte, Samanda Alves (PT).

Fonte: Eixos

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